top of page

O Fantasma da Ópera


Quem nunca ouviu falar da obra “O Fantasma da Ópera”? Eu já tinha ouvido várias vezes sobre a sua música mais famosa “I”ll I ask of you”, com a versão brasileira “Preciso ouvir de ti”, e muitas vezes ouvi muito desse título, mas nunca tinha assistido ao filme ou lido a peça até do início ao fim.

Esse ano especialmente, decidi que eu iria voltar a desfrutar mais da minha vida artística e me aprofundar mais nas técnicas de teatro musical, minha maior paixão, e bum!! Quem me achou? O Fantasma da Ópera! Durante as aulas de canto, a música escolhida para minha voz foi, “Think of me”, “Pense em mim”. Bom, então só me restou sentir a música que me levou a assistir ao filme e estudar a obra.

O Fantasma da Ópera, no original em inglês: The Phantom of the Opera, é um musical composto e co-escrito por Andrew Lloyd Webber, baseado no romance homônimo de Gaston Leroux. As músicas foram compostas por Andrew Lloyd Webber, com letras de Charles Hart e letras adicionais por Richard Stilgoe.

O musical narra a história de uma bela soprano, Christine Daaé, que passa a ser a misteriosa obsessão de um gênio musical conhecido como "O Fantasma da Ópera", já que ninguém o vê nem sabe quem é. O álbum de estúdio com o elenco original está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, e vendeu entre 24 a 40 milhões de discos ao redor do mundo, entre diversas versões da montagem do musical que teve atualmente uma releitura brasileira, apresentada em São Paulo.

Bom, para mim o Fantasma é a personificação do espírito do teatro, da alma da arte que faz parte do sublime, compõe o divino, ou, e o que está para além. É o imprevisível, o risco, o improviso, o susto que é o primeiro sopro de vida e todos seus mistérios e perguntas que não sabemos como responder. É o que nos escapa do controle e nos deixa sem ar a perceber que somos feitos da mesma matéria que se fazem os sonhos, a poeira fina do pó do barro. É a harmonia e o caos dançando juntos.

Durante todo meu processo de estudo fiz tudo para ser impecável, ensaiei todos os dias, fiz todos os exercícios vocais necessários initerruptamente por 3 meses, escolhi antecipadamente meu figurino, minha performance, organizei os ingressos e convites, chamei os convidados, tudo na ordem. No dia, comecei a me arrumar cedo, peguei todas as melhores recomendações de como chegar na Casa de Show, e eu já estava relativamente perto!

Choveu, tive alergia, esqueci de tomar meus remédios do dia, cheguei um pouco atrasada o grupo já tinha feito o aquecimento, enviei uma mensagem para o meu pai sobre a estação de metrô, confundi General Osório com Antero de Quental. Chegaria minha vez de cantar, e meu pai não tinha chegado, o que racionalmente não seria um problema, a minha família estava lá e ele chegaria depois, mas quando vi eu já tinha levantado e pedido para mexer na programação e trocar.... a ordem.

Depois de um tempo, não tinha mais como adiar, entrei no palco, desafinei nas notas que eu mais temia! Assim que acabou, meu pai chegou! Trágico! As notas do piano The Phantom of the opera is there”, “O Fantasma da ópera está lá” tocou na minha mente, fui visitada por ele, o susto do imprevisto! Nervosa sai, respirei, tentei achar mil justificativas pelo acontecido, até que entendi. Era isso que eu queria, o que eu desejava do dia não era uma bela apresentação, eu queria um encontro com a arte, comigo e com as pessoas, isso é o mais importante, caiu-me a ficha.

Em seguida, minha professora, então apresentadora do show, chamou-me novamente ao palco de forma descontraída, dizendo “olha o pai dela chegou, ela vai cantar de novo”. Todos rimos achamos engraçado, e peguei o microfone e deixei o meu coração falar, livre do medo do caos, falei sobre o amor e o prazer de estarmos juntos ali celebrando a vida e todas as suas questões, e quando vi a música estava lá comigo e todas as notas. Cheguei!Abriram-se as cortinas, ali assim, eu entendi que minha atriz estava de volta.

bottom of page